País mudo não muda! As manifestações de junho de 2013 na visão de quem vê o mundo para além dos muros da Academia. 

Apresentação

Os cartazes que mencionavam o “não à corrupção”, o “fim do voto secreto” ou o “fora Feliciano”, precisavam (e ainda precisam) ser lidos como um clamor por amplas reformas. Ser entendidos como sinalizadores da desconfiança no sistema político partidário que alimenta a corrupção e dela sobrevive. Tudo isso, por outro lado, não pode ser lido como uma descrença na democracia de forma geral. Participar do processo democrático, sem nenhuma redundância, é o que faz da democracia uma democracia. E a confluência dos sentimentos reivindicatórios de junho de 2013 apontaram para uma bandeira de mudança estrutural.

A democracia participativa e direta não é o avesso da democracia representativa e partidária. São duas formas de organização democrática que podem e devem se reforçar reciprocamente. Entretanto, para que essa construção seja possível, desde junho de 2013, no Brasil, será preciso reconhecer a existência de uma múltipla pauta e de novos atores e atrizes.

Enfim, refletir sobre tudo isso é o objetivo deste livro.

Os/as autores e autoras desta obra são jovens acadêmicos pertencentes a instituições de Ensino Superior de diferentes regiões do Brasil, com formação em áreas que vão do Direito, Sociologia, Ciência Política, à Antropologia, e que, seguindo a mesma dinâmica de organização das ruas, ou seja, basicamente através de contatos através das redes sociais, decidiram aceitar o desafio de pensar o presente.

Nos lançamos, portanto, na busca de compreender as manifestações não só, obviamente, pela força numérica das massas reunidas, mas, principalmente, por terem posto em xeque o modelo de democracia em vigor. Assim, tratamos de refletir sobre o papel e configuração dos movimentos sociais neste novo marco de 2013; de analisar o desnudamento de uma concepção meramente teórica sobre direitos e garantias fundamentais (eis aí os direitos de reunião, de resistência, de participação direta no processo político); de compreender quem são, ou o que é, os blacks blocs, e de, em consequência, lançarmos nosso olhar crítico sobre ação repressiva do aparelho estatal.

A tarefa foi realmente desafiadora. Entretanto, seguindo mais uma vez a lição de Frei Betto que nos ensina que “a cabeça pensa, onde os pés pisam”, o chão que pisamos é o das lutas sociais, e daí porque acreditamos que nossas reflexões possam contribuir para além dos muros da Academia de onde somos originários/as.

Brasil, junho de 2013. Em diversas capitais multidões saem às ruas em uma explosão de cidadania que há tempos não se via em um país aparentemente acostumado a suportar calado decisões governamentais muitas vezes distantes das reais necessidades da população. Tachados inicialmente como baderneiros, logo se percebe que os homens e as mulheres em marcha, na sua maioria esmagadora jovens, representavam uma insatisfação latente desde muitos anos.

Entretanto, o provisório desfecho até aqui conhecido, de tudo o que se passou neste período em especial, mostra que as mobilizações não refletiam (ou refletem) um “não reconhecimento” do crescimento econômico que o país experimentou nos últimos anos, mas sim, um desgaste das formas de promoção deste crescimento e de antigas fórmulas de fazer política no Brasil. Como bem disse Frei Betto (2013), “no sólo de pan vive el hombre, indicó Jesús. Aunque diez años de gobierno del PT hayan mejorado las condiciones sociales y económicas del país, el pueblo no vio saciada su hambre de belleza (educación, cultura y participación política).”

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